sábado, 31 de dezembro de 2011

O acordo ortográfico e a crase

Dias atrás, me disseram: “aqui tem crase ou não? Depois do acordo, não sei de mais nada...”. Inspirada nesta situação, eu resolvi escrever este texto. 

A primeira ponderação é sobre a pergunta em si: os gramáticos mais fundamentalistas diriam que a forma correta de questionar seria “uso o acento grave ou não?”. Isso porque a palavra crase tem origem no grego krásis e significa mistura, fusão. A crase é, portanto, a fusão dos “as” e é sinalizada pelo uso do acento grave (`). 

Agora vem a resposta: após o acordo as regras do emprego do acento grave mudaram? 
Não, não mudaram. Segundo o texto do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1990, faz-se o uso do acento grave em três situações: 

a. Fusão do artigo a com a preposição a
Fui à festa de Maria. 
(O verbo ir é transitivo indireto e pede a preposição “a” que, no exemplo, funde-se ao artigo “a”); 

b. Contração da preposição a com os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo
Tenho que ir àquela escola amanhã. 
(O verbo ir é transitivo indireto e pede a preposição “a” que, no exemplo, funde-se ao pronome demonstrativo “aquela”); 

c. Fusão da preposição a com os compostos aqueloutro(s) e aqueloutra(s)
Fui àqueloutra escola, porém não gostei de sua infraestrutura. 

Falando das regras principais é isso! 
Beijos e até a próxima!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Christmas Time


Segue abaixo uma apresentação que fiz para apresentar o vocabulário de Natal. Partindo dela, pode-se criar várias atividades (redação, cruzadinha, caça-palavras, preenchimento de lacunas, verdadeiro ou falso, forca etc). 

 Espero que vocês gostem! 
Beijos e Merry Christmas! :*

[vocabulary] Christmas

sábado, 10 de dezembro de 2011

Friedrich Froebel: O pai do jardim da infância (parte 4)

Segue abaixo uma animação que sintetiza as ideias de Froebel:

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Friedrich Froebel: O pai do jardim da infância (parte 3)

Currículo
O currículo do Jardim da Infância tem como filosofia: aprender fazendo, pois acredita que a atividade é fruto de uma vida ativa. Tudo o que é feito deve ter como objetivo um esforço para realizar um propósito ou um ideal. Cada tarefa nasce de outra já em funcionamento, conduzindo a outro assunto de forma orgânica, natural. Para tal, é de suma importância que o educador saiba em que momento, na experiência do educando, o novo tópico deve brotar do velho. 

Para Froebel, as atividades realizadas pelas crianças relacionam-se com a vida social que as cercam. O estímulo de um desenvolvimento dos sentimentos sociais está fortemente relacionado ao poder produtivo, logo, a expressão dos objetos e necessidades internas deve sempre integrar-se com o meio social e com um propósito comum. 

Objetivos 
O jardim da infância visa possibilitar brincadeiras criativas, que são permeadas por materiais escolhidos previamente para oferecer o máximo de oportunidade de geração do lúdico. O objeto, então, é importante não só por sua função, mas também por o que se pode fazer dele. Toda e qualquer instrução quer construir hábitos, habilidades, força de vontade e caráter nas crianças. 

Brinquedos, jogos e brincadeiras 
O pai do jardim da infância vê a importância dos trabalhos manuais, uma vez que eles despertam o germe do trabalho (que é uma imitação da criação do universo por Deus). Para estimular o aprendizado por meio das brincadeiras, Froebel cria objetos (compostos por círculos, esferas, cubos e outras formas), a que chama de “dons” ou “presentes”. Seus usos dependem do domínio de regras que garantem o bom aproveitamento pedagógico. Eles são feitos de material macio e manipulável, geralmente com partes desmontáveis. Com os mais velhos (crianças entre 6 e 10 anos), as atividades construtivas são variadas, passando para atividades comunitárias (a exemplo da construção coletivas de jardins). 

As brincadeiras, por sua vez, são acompanhadas de músicas, versos e dança e são previstas, quase sempre, ao ar livre para que a turma interaja com o ambiente (influência da infância do próprio Froebel, que explorava a natureza ao seu redor). As histórias, os mitos, as lendas, os contos de fadas e as fábulas tinham um enorme valor para estimular o lúdico. Para Froebel, enquanto os brinquedos físicos dão força e poder ao corpo, as histórias desenvolvem o poder da mente. 

O brinquedo como símbolo 
Froebel sente-se atraído ao simbolismo, uma vez que ele percebe que as crianças podem atribuir um significado ao material que utilizam ao brincar. Por exemplo: ao brincar com um taquinho de madeira, este pode se transformar em um animal, em um carrinho ou, até mesmo, em uma boneca. 

Esta ideia também é defendida – anos mais tarde – por Vygotsky, que aborda em seus estudos a relação entre a brincadeira e o objeto não real, como no caso de uma vassoura é montada como se fosse um cavalinho. Para Vygotsky, quanto mais diferente a brincadeira for do real uso do objeto, mais a imaginação foi empregada pela criança, ajudando-a a distinguir as diferenças entre o objeto concreto e a ideia da brincadeira. Isso a auxilia a constituir um passo importante para a abstração. 


Referências: 
ARCE, Alessandra. Brincar - O jogo e o desenvolvimento infantil na teoria da atividade. In: Portal Educação

EBY, Frederick. História da Educação Moderna: séc. XVI/séc. XX – teoria, organização e prática educacionais. Tradução: Maria Ângela de Almeida, Nelly Aleotti Maia, Malvina Cohen Zaide. Porto Alegre: Globo; Brasília: INL, 1976. Páginas 340 a 461. 

FERRARI, Márcio. Friedrich Froebel, o formador das crianças pequenas. In: Nova Escola. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/4-a-6-anos/formador-criancas-pequenas-422947.shtml?page=0. Acesso em 19 de março de 2011. 

GADOTTI, Moacir. História das Ideias Pedagógicas. São Paulo: Ática, 1993. Páginas 87 a 106. Série Educação. 

LEONTIEV, A.N., LURIA, A.R., VIGOTSKI, L.S. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. Página 149. 7ª ed. – São Paulo: Ícone, 2001. 

OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky – Aprendizado e Desenvolvimento – Um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Friedrich Froebel: O pai do jardim da infância (parte 2)

Teoria pedagógica
Conceito de Jardim da Infância: para Froebel, o ambiente escolar deve ser considerado como um jardim, em que as crianças são as plantinhas cuidadas pelos jardineiros (professores). 

Este conceito foi inspirado no movimento filosófico (Rousseau), nos progressos da ciência, na convivência com outros educadores (principalmente Pestalozzi) e na observação do desenvolvimento humano e tem como objetivos: 
1. Procurar a vida perfeita, a cultura, a multidisciplinariedade e a harmonia dentro das relações; 
2. Buscar o conhecimento em si, da natureza, de Deus, do desenvolvimento orgânico. 
3. Ter o desenvolvimento da vontade como papel fundamental da escola. 

Pode-se inferir sobre a influência da história de vida do educador dentro destes objetivos: o primeiro deles relaciona-se com o contexto histórico da vida de Froebel – uma Europa marcada pelo conflito entre religião e ciência, que busca a “harmonia dentro das relações”. O segundo tem implícita a relação que do pai do jardim da infância teve com a natureza, após perder a mãe: o tempo que passava explorando a floresta próxima a sua casa o fez querer conciliar o Criador, o conhecimento e o desenvolvimento orgânico do indivíduo. Por fim, o terceiro, também relacionado ao contexto histórico, tem como reflexo da ascensão da burguesia, que visa à vontade de produção. Para Froebel, esta vontade deve ser estimulada e desenvolvida desde cedo pela escola. 

Importância da Família 
Froebel é o primeiro educador a captar o significado da família nas relações humanas. Assim como Pestalozzi, valoriza o núcleo familiar dando-lhe funções nos planos biológico, social, religioso e educacional.

O desenvolvimento em fases
Para Froebel, o indivíduo passa por cinco fases de desenvolvimento. São elas: a infância, a meninice, a puberdade, a mocidade e a maturidade. Cada uma delas tem características próprias, mas são igualmente importantes. Entretanto, ele focou seus estudos nos primeiros anos de vida da criança – tempo que seria vivido no Jardim da Infância –, durante este período, pode-se dizer que: 
• As atividades motoras e os sentidos são muito importantes; 
• As formas mais importantes de expressão nesta fase são: percepção sensorial, linguagem e brinquedo.


Referências: 
ARCE, Alessandra. Brincar - O jogo e o desenvolvimento infantil na teoria da atividade. In: Portal Educação.

EBY, Frederick. História da Educação Moderna: séc. XVI/séc. XX – teoria, organização e prática educacionais. Tradução: Maria Ângela de Almeida, Nelly Aleotti Maia, Malvina Cohen Zaide. Porto Alegre: Globo; Brasília: INL, 1976. Páginas 340 a 461. 

FERRARI, Márcio. Friedrich Froebel, o formador das crianças pequenas. In: Nova Escola. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/4-a-6-anos/formador-criancas-pequenas-422947.shtml?page=0. Acesso em 19 de março de 2011. 

GADOTTI, Moacir. História das Ideias Pedagógicas. São Paulo: Ática, 1993. Páginas 87 a 106. Série Educação.  

domingo, 4 de dezembro de 2011

Friedrich Froebel: O pai do jardim da infância (parte 1)

Contexto e biografia 
Antes de qualquer coisa, para entendermos quem fora Friedrich Froebel, devemos destacar o contexto histórico de seu surgimento. Froebel nasceu e viveu em uma Europa que passava por um período intenso de guerras e conflitos por seus territórios, marcada pelo impacto da Revolução Francesa e pelos ideais Iluministas. A Educação, que até então sempre fora domínio da Igreja; passou, neste período, por uma transição, tornando-se responsabilidade do Estado. Destaca-se, também, o fato de somente a partir de esta época a infância passar a ser valorizada. Valorização, esta, que se apoia nas ideias de Rousseau sobre o ideal do estado natural do homem e da visão da educação em dividida em três momentos: infância, adolescência e maturidade. 

Nascido em 21 de abril de 1782, em Oberweissbach, na Alemanha, Froebel perdeu sua mãe aos 9 ano de idade e tendo uma infância solitária. Este isolamento é relatado pelos estudiosos pelo empenho que o pai do jardim da infância teve ao aprender matemática e a explorar as florestas próximas ao lugar em que vivia. Aos dezessete anos de idade, quando visitou seu irmão na Universidade de Jena, surgiu o desejo de ingressar nessa Universidade. Cursou Filosofia e dedicou-se ao estudo da Arquitetura, Ciências Naturais e Mineralogia. 

Entre 1807 e 1810, Froebel visitou a escola do pedagogo Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), em Yverdon, na Suíça. Inspiração para suas futuras ideais pedagógicas. De volta à Alemanha, estudou nas universidades de Göttingen e Berlim e começou a desenvolver suas teorias educacionais, que têm como elementos fundamentais os jogos e as atividades livres. 

Em 1816, fundou a sua primeira escola, na cidade alemã de Griesheim e, dez anos mais tarde, publicou seu livro mais importante: A Educação do Homem

No ano de 1832, mudou-se para a Suíça, onde treinou professores e dirigiu um orfanato. Essas experiências serviram de inspiração para a fundação do “Instituto para o Cuidado da Infância e da Juventude”, que mais tarde foi rebatizado de Kindergarten (jardim da infância), na cidade alemã de Blankenburg (1840). Além disso, desenvolveu Canções para a mãe que acalenta seu filho, livro composto por músicas para ajudar a mãe a estimular sensorialmente a criança nos primeiros anos de vida. 

No fim de sua vida, enfrentou problemas econômicos e, em 1851, foi confundido com um sobrinho esquerdista, fato que levou à proibição de todas as atividades realizadas nos jardins-de-infância, pelo governo da Prússia. 

Friedrich Froebel morreu em 1852, deixando-nos os ideais do Jardim da Infância. 


Referências:
Biografia e Contexto Histórico. In: Froebel. Disponível em: http://froebelfriedrich.blogspot.com/ - Acesso em 19 de março de 2011. 

EBY, Frederick. História da Educação Moderna: séc. XVI/séc. XX – teoria, organização e prática educacionais. Tradução: Maria Ângela de Almeida, Nelly Aleotti Maia, Malvina Cohen Zaide. Porto Alegre: Globo; Brasília: INL, 1976. Páginas 340 a 461.  
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