segunda-feira, 8 de julho de 2013

Gramática: quê? Como? Onde e por quê?

Duas das minhas gramáticas.
Muitos alunos me perguntam por que, afinal, temos que estudar gramática. A resposta pode parecer muito simples – para aqueles que gostam – e muito complexa, para os que detestam. Isso, muitas vezes deve-se ao fato de os alunos não saberem muito bem o que é e para que serve a tal da gramática.
Entende-se como linguagem a habilidade que nós, humanos, temos de nos comunicarmos por meio da fala. Esta comunicação, por sua vez, exige o que chamamos de código linguístico, língua ou idioma. Cada região tem o seu idioma materno que é, basicamente, determinado por fatores históricos. A fala é, portanto, fruto do uso do idioma. E a comunicação linguística, por sua vez, pode acontecer via oral ou escrita.
A língua, assim como quaisquer outros pontos da cultura de um povo, sofre evoluções, mudando ao longo do tempo e por meio dos indivíduos que a utiliza – reforçando as diferenças entre os falantes, sejam elas sociais, geográficas, de gênero. Destas distinções que surgem os diferentes níveis de linguagem: culto, coloquial, popular, etc. Contudo, para que haja um entendimento entre os próprios falantes, surge aquilo a que denominamos gramática: uma forma de descrever, combinar e organizar as palavras e expressões linguísticas de forma que elas tenham um significado. Estas normas reguladoras ajudam a padronizar a língua de forma que a fala não seja sem sentido.
É claro que, ao aprendermos a nossa língua materna, internalizamos as regras sem percebê-las. Ninguém nunca parou para nos dizer que falar “os meninas” não é recomendado porque o artigo deve concordar com o substantivo em gênero (masculino/feminino), número (singular/plural) e grau (aumentativo/diminutivo/superlativo), em Língua Portuguesa. Quando criança, isso não nos é importante. Entretanto, conforme vamos crescendo, ganhamos certas responsabilidades e passamos também a nos expressarmos de forma escrita. Conhecer a gramática ajuda-nos no processo de sermos entendidos pelos demais.
A Gramática divide-se em duas partes: a histórica e a normativa. A gramática histórica estuda o processo de evolução da língua: como nasceu, como é atualmente. Já a gramática normativa expressa o conjunto de regras que descrevem a estrutura padrão do idioma em sua atual fase de evolução. 
Então, por que afinal é importante reconhecer a gramática e saber quando usá-la? Para reconhecimento pessoal e profissional, para entendimento das outras pessoas. Nas escolas ensinam-se as tais normas para que as pessoas aprendam a falar e a escrever de acordo com estas estruturas normativas. Dominar o padrão nos abre as portas para brincar com ele. Conhecer a gramática nos faz mais fortes, mais eloquentes no discurso, seja ele oral ou escrito. Conhecendo estas normas, sabemos quando queremos/devemos usá-las ou não, ganhamos mais consciência de nosso idioma e maior habilidade em seu uso.

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Referências: 
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008. Página 16.
SPRATT, Mary; PULVERNESS, Alan; WILLIAMS, Melanie. The TKT Course. United Kingdom: Cambridge University Press, 2005. Páginas 5 e 6.

sábado, 6 de julho de 2013

Ah, as siglas! Ensino do inglês como segunda língua ou como falante de língua estrangeira?

Não sei quanto a vocês, mas todas às vezes que vejo uma sigla, minha primeira reação é #ainão! Letras que significam um monte de coisas, ainda mais em inglês, podem ser complicadas, por isso, resolvi escrever um pouco sobre isso.

Quando resolvemos ser alunos/professores de inglês, nos deparamos com algumas das benditas siglas: ESL, EFL, ESOL, EAL... Pensando nas respectivas traduções, a primeira, English as Second Language, pode ser traduzida literalmente como Inglês como Segunda Língua. Já a segunda, English as a Foreign Language, é o famoso Inglês como Língua Estrangeira. ESOL, ou English for Speakers of Other Languages, é o Inglês para os Falantes de Outras Línguas e o EAL, English as an additional language, é o Inglês como língua adicional. De todas elas, destacam-se as duas primeiras, que serão as mais discutidas neste artigo. E, em meio a elas; surge, então, a pergunta: se, de sentido, todas elas têm o significado extremamente próximos, qual é a real diferença entre elas?!

Nos países em vermelho, todos os alunos aprendem inglês como língua estrangeira (EFL); nos em magenta, a maior parte dos alunos; nos em verde, poucos alunos. Os países em vermelho escuro (bordô) têm o inglês como língua nativa.*

Pensando na escola de ensino regular e no que dizem os Parâmetros Curriculares Nacionais, a Língua Inglesa é ensinada e aprendida na concepção do EFL, ou seja, como língua estrangeira apenas. Segundo o próprio texto dos PCNs, “A aprendizagem de uma língua estrangeira, juntamente com a língua materna é um direito de todo o cidadão”, já que “o distanciamento proporcionado pelo envolvimento do aluno no uso de uma língua diferente o ajuda a aumentar sua autopercepção como ser humano e cidadão”. Sendo assim, as escolas criam estratégias para que os estudantes entrem em contato com a estrutura da língua e sua cultura de forma que isso “envolvam o aluno na construção de significado pelo desenvolvimento de, pelo menos, uma habilidade comunicativa (grifo meu).

Inferindo pelo o perfil da maior parte das escolas existentes no Brasil, nota-se que os colégios particulares adotam estratégias diversificadas quanto ao desenvolvimento das quatro habilidades (auditiva, escrita, de fala e de leitura): aderem a recursos audiovisuais, dividem os alunos por níveis de conhecimento, adquirem materiais diferenciados, oferecem a possibilidade de intercâmbio... Já as escolas públicas, por enfrentarem os diversos problemas por todos conhecidos (de salas superlotadas; muitas vezes sem recursos; com professores com formação defasada, com sobrecarga de trabalho, que não são valorizados), acabam focando no ensino do inglês instrumental – que, ao menos, “garante” a habilidade de leitura, para que os alunos encarem os testes dos vestibulares/ENEM. As exceções dessa leitura do ensino de inglês são raras e, é claro, bem vindas!

É claro que esta visão do preparo para apenas uma das habilidades; que, querendo ou não, é seguida por grande parte das escolas regulares, gerou uma crença – a cada dia reforçada pela vivência escolar – de que só se aprende inglês nas escolas de idiomas ou morando fora do país. Mito ou verdade, este pensamento acaba desestimulando alunos e professores no desempenho que se deve ter ao longo do processo de ensino e aprendizagem. Mas este é assunto para outro texto. Voltando às siglas; se, de um lado, a maior parte das escolas ensinam Inglês como Língua Estrangeira (EFL), de outro, encontramos as poucas – e caríssimas – escolas bilíngues/internacionais, que fazem o ESL – Inglês como Segunda Língua. Nelas, os alunos são expostos ao idioma por mais tempo e de outras maneiras, uma vez que, muitas vezes estudam as outras disciplinas da grade curricular (Matemática, Geografia, História etc.) em inglês. Isso se dá pelo fato de: 1. essas escolas receberem alunos de outros países (que tenham ou não o inglês como língua nativa); 2. terem uma proposta de ensino integral (o que leva seus alunos a passarem o dia todo na escola). É claro que, por estarem no Brasil, as escolas bilíngues/internacionais seguem as legislações nacionais e os parâmetros estabelecidos Ministério da Educação, mas suas propostas pedagógicas também têm um diferencial, no sentido de “forçar” seus alunos a vivenciarem a cultura de língua inglesa, como num preparo para exercitá-la fora do Brasil. Vale ressaltar que esta diferença estabelece-se também porque, além de cumprir as exigências do MEC, normalmente estes estabelecimentos de ensino são filiados a órgãos educacionais estrangeiros.


Entender as peculiaridades entre o EFL e o ESL auxilia o professor a pensar em como ele deseja as suas aulas, se elas atendem as reais necessidades dos alunos. Embora a discussão de como aproximar o EFL do ESL seja ampla, pois implica em um salto de qualidade no ensino público e privado no país, é importante ressaltar que há diversas formas de auxiliar no aprendizado dos alunos de EFL. Desde sites a letras de música, de filmes a textos, de discursos a feiras culturais, quanto maior a exposição à língua, mais fácil e orgânico o aprendizado se tornará. Ensinar os caminhos e dar autonomia aos alunos para que eles incrementem os seus processos de aprendizagem é tão importante quanto os momentos dentro da escola – siga ela a sigla que for.

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Referências:
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais : terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua estrangeira / Secretaria de Educação Fundamental. . Brasília. MEC/SEF, 1998.
SANTOS, Edson. Ensinar Inglês: EFL ou ESL? Disponível em: http://blogdoprofessoredson.wordpress.com/2013/07/03/ensinar-ingles-efl-ou-esl/
*Wikipedia. Map. English as a Second or Foreign language. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/English_as_a_Foreign_or_Second_Language
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